31 de jul de 2011

Acessibilidade no Parque Villa-Lobos, em São Paulo - SP

O Parque Villa-Lobos, localizado no Bairro de Alto dos Pinheiros, em São Paulo, abrange uma área de 732 mil m² e possui ciclovia, quadras, campos de futebol, “playground” e bosque com espécies de Mata Atlântica, além de outras áreas de lazer, esporte e cultura. (Fonte: Site da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo)

Esta é a entrada principal do Parque Villa-Lobos. A fonte e a cor do letreiro com o nome do parque têm tamanho e contraste destacantes, permitindo boa visualização. Como visitamos o parque durante o dia, não foi possível verificar se o letreiro é retroiluminado.

A superfície do piso da entrada é lisa, regular, firme e antiderrapante, permitindo a utilização de bicicletas, patins e o fácil manuseio da cadeira de rodas, por exemplo.

Os portões estavam todos abertos, e seu acionamento não foi verificado. O vão livre da entrada é satisfatório, atendendo ao fluxo de pessoas que entram e saem do parque.

A placa acima deste portão é igual a que está fixada nos outros. Apesar de um contraste de cores adequado, não está tão explicativa, onde, num primeiro momento, o visitante pode interpretar que não é permitida a entrada de pessoas andando de bicicletas. Na verdade, esta placa está indicando que nestas entradas não é permitida a entrada de ciclistas, mas existe outra entrada específica e sinalizada para isso. Um dos  exemplos simples e viáveis para o melhor esclarecimento desta placa seria colocar a seguinte frase: Entrada de Bicicletas . Assim, o público poderá saber que neste portão não é permitida a entrada de ciclistas, mas ao lado sim.

As grelhas devem estar preferencialmente fora do fluxo principal de circulação. Quando isso não é possível, elas devem estar instaladas transversalmente (como ilustra a foto) e os vãos resultantes devem ter dimensão máxima de 15 mm. Na foto pode-se observar que as grelhas seguem a NBR9050, porém, em alguns pontos, está desnivelada com o piso, dificultando sua transposição.

Logo após a entrada do Parque, existem telefones públicos tanto à direita quanto à esquerda. Em ambos os lados, há dois acessíveis à cadeirantes e pessoas com baixa estatura, pois são rebaixados. Como a parte superior do telefone sobressai à sua base, este mobiliário é considerado um obstáculo suspenso, que está devidamente sinalizado com o piso tátil de alerta, prevenindo colisões  de deficientes visuais contra a parte superior (aba) do telefone.

Este é um telefone acessível a pessoas com baixa estatura e cadeirantes. Porém, o bloco de concreto no lado esquerdo da base do telefone pode interferir na aproximação frontal de uma cadeira de rodas.

Todos os telefones públicos do parque possuem um ponto em alto relevo no dígito 5, guiando e facilitando a digitação de deficientes visuais.

À frente e acima dos telefones públicos há circulação de bicicletas, triciclos e patins, onde, nesta área, existe a sinalização tátil, alertando o deficiente visual da existência de algum obstáculo que, neste caso, é a circulação de bicicletas e outros.

Esta é uma placa com informação visual, contendo figuras com seus respectivos textos. Uma sugestão viável para informar os deficientes visuais seria a mensagem em Braille abaixo do texto, mas em uma placa na entrada do parque ou que fosse acessível a este público (altura e inclinação).

Piso tátil de alerta sem manutenção, com rachaduras e pedaços soltos. Além de confundir a informação tátil de um deficiente visual, pode causar algum “tropeço” e eventual queda de um idoso, por exemplo.

Sinalização tátil, novamente com falta de manutenção. Logo à frente, há sinalização visual no chão (bicicletas em amarelo), informando por qual via o ciclista deve ir e vir, organizando a circulação.

Este é um espaço de circulação dos visitantes, onde sua maior parte possui superfície plana. Existem algumas áreas com leves inclinações, não interferindo no ir e vir dos visitantes.

Os quiosques mais ao fundo possuem bancos e mesas rebaixados, permitindo que crianças e pessoas de baixa estatura os utilizem.

Neste espaço também há piso tátil de alerta, indicando a circulação de bicicletas e outros. Também existe sinalização visual indicando a direção de ir e vir dos ciclistas.

Existem desnivelamentos neste trecho do piso, causando trepidação na cadeira de rodas e carrinho de bebês, por exemplo.

Nesta área existe um mapa do Parque, com informações apenas visuais, com letras pequenas, dificultando sua leitura.

Ao redor do mapa existe o piso tátil de alerta, o qual é desnecessário, pois a placa não é suspensa e não oferece risco aos deficientes visuais, que podem identificá-la com a bengala sem que colidam com a mesma.

Placa com informação apenas visual, com bom contraste de cores. O caminho até a Vila Ambiental pode ser feito por meio de escada ou rampa, garantindo o acesso de todos. No início da rampa não há piso tátil de alerta, indicando mudança de plano.

Há corrimão bilateral com extremidades arredondadas, sem protuberância, com duas alturas, as quais não foram mensuradas. Não existe, mas é recomendável que os corrimãos de escadas e rampas sejam sinalizados através de anel com textura contrastante com a superfície do corrimão e sinalização em Braille, informando sobre os pavimentos.

Grelha com sentido transversal, mas podemos observar rachaduras no  piso ao seu redor, as quais causam trepidação na cadeira de rodas e em carrinhos de bebê.

Esta rampa apresenta uma inclinação suave, não exigindo um grande gasto energético. O revestimento do piso é regular, firme e antiderrapante.

A rampa não possui paredes laterais, nem guias de balizamento com altura mínima de 0,05 m, ou seja, não há como delimitar a largura da rampa, dificultando, por exemplo, o trajeto de um deficiente visual, que utiliza destes recursos para guiar-se e delimitar o espaço.

Ao final desta rampa existe um patamar de descanso, facilitando a continuação da subida. Os corrimãos laterais devem ser contínuos, sem interrupções nos patamares, o que não ocorre neste caso, já que no patamar (final deste trecho da rampa) existe uma escadaria fixa.

Continuação da rampa, com as mesmas características citadas anteriormente. No seu final, existe o acesso à Villa Ambiental e à parte mais superior do parque. Todo o trajeto das rampas é circundado pela vista da vegetação, tornando a circulação agradável.

Esta escadaria fixa é situada no patamar de descanso, entre as rampas que dão acesso à Villa Ambiental. A presença desta escadaria faz com que haja a interrupção do corrimão lateral, dificultando o trajeto de deficientes visuais, idosos e pessoas que usam andadores, por exemplo.

No início da escadaria (patamar da rampa) não há sinalização tátil de alerta, existindo apenas do final da subida, como ilustra a foto. Esta escadaria possui corrimão bilateral com duas alturas, mas sem sinalização tátil.

Os degraus desta escada não possuem sinalização visual na borda do piso, em cor contrastante com a do acabamento. Esta sinalização visual delimita, por exemplo, o início e final do degraus, garantindo que pessoas com baixa visão detectem este limite. 

Ao final da escadaria fixa com rampa associada, existe a sinalização tátil de alerta, indicando mudança de plano, ressaltando que esta sinalização não está presente no início.

A escada não possui sinalização visual na borda frontal dos degraus, em cor contrastante com a do mesmo. Essa sinalização pode estar restrita à projeção dos corrimãos laterais, com no mínimo 20 cm de comprimento, partindo da borda lateral do degrau em direção ao seu centro. Sem esta sinalização, até na foto fica difícil delimitar o início e término do degrau. Assim, como uma pessoa com baixa visão utilizará a escada com segurança?

Este é o início da escada que está associada à rampa, as quais dão acesso à Villa Ambiental. Como dito anteriormente, não há piso tátil de alerta. Existe uma grelha transversal, mas com má manutenção.

Trajeto da entrada até o estacionamento. Espaço amplo, com piso regular, firme e antiderrapante.

A rota entre a entrada do parque e o estacionamento é acessível. Na área do estacionamento, há previsão de não circulação por entre veículos, onde existem vários rebaixamentos de guia, sinalizados com piso tátil de alerta que dão acesso às laterais das vagas.

Vaga para estacionamento de veículos que conduzam ou sejam conduzidos por pessoas com deficiência, com sinalização horizontal e vertical presentes.

A sinalização horizontal apresenta o espaço adicional de circulação (faixa amarelas) para que um cadeirante, por exemplo, possa descer do carro e ter espaço suficiente para manobrar a cadeira de rodas.

Todas as vagas possuem sinalização horizontal e vertical. O número de vagas é satisfatório, além de o trajeto até elas ser acessível.

O Parque também apresenta vagas reservadas para idosos, como prevê o Estatuto do Idoso. Entretanto, vale ressaltar que, de acordo com a NBR9050, as vagas sinalizadas com o símbolo internacional de acessibilidade também contemplam estas pessoas, pois trata de "pessoas com deficiência" ou com "mobilidade reduzida", e os idosos se enquadram nesta segunda classificação.


Maria Alice Furrer e Frederico Rios

Fotos: 03/07/2011


6 comentários:

  1. A gente percebe que os posts aqui tem uma dedicação tão grande,dá gosto de ler. Ótima observação da placa "finalmente, pode ou não bicicleta?" rsss. Eu achei esse piso tátil sem muito contraste, vocês também? Não sei se é pela foto, mas amarelo não contrasta com cinza claro, seria legal um preto mesmo =) Mas no geral o parque parece ser bem acessível.. Parabéens pelo post, gostei de verdade. Beeijos, ANP!!!

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  2. Não réplica como ir da entrada ao anfiteatro com cadeira te e aonde está o estacionamento para cadeira nesta.

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  3. Não explica como ir da entrada principal ao anfiteatro com cadeirante...

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  4. E ONDE É O ESTACIONAMENTO PARA CADEIRANTES...

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