16 de ago de 2011

Série: Calçadas Reformadas (1/4)


Como muitos campo-grandenses já sabem, a Prefeitura Municipal vem notificando alguns proprietários de imóveis para que adequem suas calçadas de acordo com as normas de acessibilidade. Assim, organizamos uma série de quatro postagens para mostrar como está sendo realizado este trabalho em Campo Grande, tanto em calçadas reformadas quanto em construções recentes.

Confiram!


Rua 25 de Dezembro, entre Avenida Mato Grosso e Rua Antônio Maria Coelho

Calçada com piso tátil direcional (vermelho) e de alerta (amarelo), mas o piso tátil direcional não possui contraste com o piso adjacente. A cor do piso tátil deve ser contrastante com a do piso da calçada porque, no grupo de deficientes visuais, existem as pessoas com baixa visão, as quais utilizam o contraste das cores para poderem seguir uma rota.

O piso tátil deste lote da calçada não tem continuidade com o do lote mais adiante (acompanhem a continuidade pela foto). Muitas calçadas não possuem a mesma largura, mas, além da instalação do piso tátil, os lotes devem comunicar-se um com o outro, tornando acessível e organizado o trajeto.

A entrada e saída de veículos nas vagas estão sinalizadas com piso tátil de alerta. Não mensurarmos a largura da faixa livre de circulação da calçada, a qual, segundo a NBR9050, deve ter largura mínima recomendável de 1,50 m, sendo o mínimo admissível de 1,20 m.

É válido ressaltar que o acesso de veículos e seus espaços de circulação e estacionamento devem ser feitos exclusivamente dentro do imóvel, de forma a não criar degraus ou desníveis abruptos nos passeios, não interferindo na faixa livre de circulação.

Mesmo estando na faixa de serviço, a tampa de esgoto, pintada de amarelo no canto direito da foto, oferece risco à segurança dos pedestres, já que está desnivelada com o piso.

No centro superior da foto, notamos também a falta de comunicação do piso tátil entre os lotes. Apesar de apresentar falhas, o piso deste lote está, em sua maioria, liso uniforme e antiderrapante.

Descendo a rua, este é o lote adjacente ao da foto anterior. Logo no início deste trajeto, encontramos o piso tátil de alerta, indicando a entrada e saída de veículos.

As cores do piso tátil estão contrastantes com a do piso do revestimento da calçada. A superfície é antiderrapante, porém existem rachaduras ao longo do trajeto, principalmente ao redor da sinalização tátil.

Atravessando a rua, nos deparamos com este lote. Existe sinalização tátil com cor contrastante com a do piso, onde este primeiro piso tátil de alerta provavelmente está alertando a mudança de um lote de calçada para o outro. Lembrando: esta sinalização não é prevista na NBR9050. O ideal, ao invés de alertar a mudança de lotes, seria a comunicação da sinalização tátil entre eles, ou seja, planejamento. Neste lote, existe esta continuidade.

Logo após o início destes lote, existe um estacionamento de veículos, com a entrada/saída devidamente sinalizada com piso tátil de alerta.

O revestimento do piso, apesar de ser antiderrapante, apresenta rachaduras superficiais e profundas, podendo causar acidentes.

Não foram efetuadas mensurações de faixa livre e faixa de serviço. Porém, pela imagem, observamos que a árvore está próxima ao meio fio, ocupando a faixa de serviço.

Esta é a continuação do lote anterior, apresentando piso tátil de alerta e direcional. No canto direito da foto, observamos uma rampa para acesso de veículos e, na calçada, sinalização tátil de alerta, provavelmente para alertar esta possível entrada/saída.

O revestimento do piso desta calçada é antiderrapante, porém é desnivelado e irregular, provocando trepidação em carrinhos de bebê e cadeira de rodas.

Continuação do lote anterior. Notem que o piso da calçada é do mesmo material, porém está mais degradado. Existem rachaduras, irregularidades e tampas de esgoto, tudo interferindo na segurança da circulação de pedestres.

Além de as tampas de esgoto não serem revestidas de material antiderrapante, a que está no centro da mudança de direção do lote (esquina) está muito desnivelada com o piso, formando um buraco. Lembrando que este buraco está no lugar onde deveria existir piso tátil de alerta, indicando a mudança de direção da circulação.

Há rebaixamento de guia nesta esquina.


Rua Antônio Maria Coelho, entre Rua José Antônio e Rua 13 de Junho

Existem opões de cores de piso tátil, lembrando que é fundamental que estes sejam contrastantes com o piso adjacente, como neste lote.

O revestimento do piso é antiderrapante, porém existem rachaduras, principalmente ao entorno da sinalização tátil. Mas, em sua maior parte, esta calçada é regular, com adequada faixa livre de circulação de pedestres.

Os pisos táteis de alerta, estão indicando a presença de garagens.

Revestimento do piso adequado, firme, estável, regular e antiderrapante, com sinalização tátil direcional e de alerta em cor contrastante com a do piso.

Esta foto ilustra vagas na transversal da calçada que, além de não interferirem na faixa livre de circulação de pedestres, estão devidamente sinalizadas com piso tátil de alerta.

Notem que estes dois lotes têm adequada continuação da sinalização tátil. Também possuem faixa livre adequada, com piso regular, firme e estável.

Apesar de não estar claro na foto, este piso tátil vermelho tem contraste com o piso adjacente.

Esta calçada possui área permeável, localizada em local adequado.



Rua Antônio Maria Coelho, esquina com a Rua Brasil

Apesar de não estar bem ilustrado na foto, o piso tátil desta calçada é contrastante, porém o revestimento da calçada está com manutenção inadequada. Existem rachaduras e pisos soltos, além de sujeira em toda sua extensão.

Na esquerda da foto, existe um rebaixamento de guia e, na esquina, o piso tátil de alerta, em composição com o piso tátil direcional, indicando a mudança de direção do trajeto.

No lado direito da foto, há outro rebaixamento de guia. Neste trecho, o piso é mais regular e antiderrapante, com um número menor de rachaduras, porém o lixo espalhado pela  faixa livre de circulação também é notável.

No canto superior direito da foto existe uma árvore com um canteiro. O canteiro é desnivelado com o piso e não é sinalizado, podendo causar a queda de um pedestre.

Neste lote, existe uma faixa livre de circulação adequada. Porém, em virtude do funcionamento de um estabelecimento comercial neste local (um bar), mesas são colocadas em cima do piso tátil, bloqueando a faixa livre de circulação. Assim, torna-se inacessível o fluxo de qualquer pedestre neste trecho da calçada.



Avenida Zahran

Calçada com piso tátil direcional em cor contrastante com a do piso. O revestimento, em sua maioria, é adequado, estável, regular e antiderrapante.

No lado direito da foto, a faixa amarela delimita espaços que servem de vaga para carros, ou seja, praticamente toda a calçada fica bloqueada, inclusive a sinalização tátil.

O piso tátil está colado ao lado das árvores, que são plantadas em um canteiro protegido por uma pequena mureta. Esta mureta causa um desnível, oferecendo risco à segurança de pedestres, além de estar fora da faixa de serviço.

É na faixa de serviço que devem conter mobiliários urbanos e vegetação, não na faixa livre de circulação.

Presença de rebaixamento de guia, mas com desnível entre a calçada e o asfalto, dificultando e colocando em risco a segurança de um cadeirante que utilize este trajeto, por exemplo. Esta sinalização de rebaixamento de guia não existe na NBR9050.

Além de a vegetação, as placas e as caixas de serviço estarem ocupando a faixa livre de circulação, novamente há espaço para o estacionamento de veículos. Nos dias de funcionamento deste estabelecimento, fica impraticável a circulação nesta calçada, a qual fica TOTALMENTE bloqueada, além de perigosa. A via que fica ao lado desta calçada possui grande fluxo de veículos, aumentando o risco de acidentes.

O piso tátil foi instalado por entre os obstáculos. Como um deficiente visual trafegará por este lote? Sem contar na utilização inadequada do piso tátil de alerta, alertando obstáculos que não precisam desta sinalização, já que não são suspensos. Lembrando que o percurso onde há sinalização tátil não é feito por NINGUÉM.

A acessibilidade neste percurso é totalmente ignorada, pois o piso tátil é colocado continuamente entre as barreiras arquitetônicas.

No centro da foto existe uma caixa de serviço, totalmente desnivelada com o piso. Além das barreiras citadas anteriormente, no lado direito, na área destinada ao estacionamento de veículos, existe uma inclinação transversal no terreno. Esta inclinação é desconfortável, exigindo um grande gasto energético dos pedestres, além de oferecer risco à segurança de pessoas com déficit de equilíbrio (idosos, por exemplo).



Rua Bahia, entre Avenida Mato Grosso e Rua Antônio Maria Coelho

Calçada com piso tátil em cor contrastante com a do piso. O revestimento do piso é irregular, causando trepidação.

Além da sinalização tátil de alerta estar inadequada para indicar a entrada e saída de veículos nestas vagas transversais, as vagas ocupam a faixa livre de circulação dos pedestres. Em toda a extensão deste lote, os veículos estacionam em cima do piso tátil e bloqueiam a circulação de pedestres na calçada. Este fato ocorre porque o espaço destinado às vagas é pequeno e mal planejado, onde qualquer carro que estacionar irá interferir na circulação, o que é TOATALMENTE inadequado. Esta calçada não tem condições de abrigar carros nestas vagas, e isto está ocorrendo em vários pontos da cidade.



Rua Joaquim Murtinho esquina com Rua Cerro Corá

Calçada com revestimento antiderrapante e com inclinação adequada, porém existem algumas rachaduras. O local destinado ao estacionamento no sentido transversal da calçada não interfere na faixa livre de circulação de pedestres, e está devidamente sinalizado com piso tátil de alerta.

A placa, no centro da foto, possui sinalização tátil de alerta ao seu redor, o que é desnecessário. Em contrapartida, o início da rampa (atrás da placa) e o orelhão (canto direito da foto) não possuem sinalização tátil de alerta.

Presença de composição de piso tátil de alerta e direcional na esquina, indicando mudança de direção. 


Calçada com piso tátil. O revestimento é adequado, porém existem rachaduras neste trajeto.

As vagas para estacionamento de veículos não interferem na faixa livre de circulação, e estão com sinalização tátil de alerta. Notem o carro estacionado no canto direito da foto.

Faixa livre de circulação estreitada pelo canteiro da árvore (lado esquerdo da foto), formando um desnível e possibilitando acidentes.

No canto direito da foto existe uma mureta, com quina viva (pontiaguda), aumentando o risco de acidentes neste trajeto.



Rua Maracajú, entre Rua José Antônio e Rua 13 de Junho

Piso tátil com continuidade entre os lotes. O piso tátil está em cor contrastante com a do piso adjacente, porém, neste primeiro lote, o piso é irregular e trepidante, não sendo seguro e confortável trafegar por ele.


Concluindo

Como podemos constatar, as adequações das calçadas de Campo Grande estão muito longe de atender às necessidades da população, lembrando que estas reformas não beneficiam apenas as pessoas com algum tipo de dificuldade de locomoção, mas sim TODAS as pessoas.

A gestão deste processo, realizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (SEMADUR), está sendo ineficiente e omissa às normas de acessibilidade, resumindo o assunto apenas em "piso tátil". Enquanto não houver boa vontade política e o comprometimento do CREA-MS, oferecendo orientação técnica adequada aos contribuintes, não colheremos bons resultados.

Resta-nos saber quem vai arcar com os custos de novas possíveis reformas, caso os proprietários de calçadas "já adequadas" sofram novas notificações ou denúncias, já que continuam não atendendo à lei.


Frederico Rios

Análises: Maria Alice Furrer

Fotos: Giuliano Lopes (23/07/2011)

2 comentários:

  1. Excelente post!
    Este sendo apenas 1 de 4, ao final da série os posts, de tão esclarecedores, podem ser agrupados em um guia e oferecido aos profissionais da área (engenheiros, arquitetos, mestres de obra...) e às entidades fiscalizadoras (CREA e Prefeituras), pois mostram diversos exemplos a serem seguidos e muitas situações a serem evitadas.

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  2. Essa série já começou a ótima, esperando os próximos capítulos ;)
    A ideia do Diego é muito conveniente mesmo, já que os responsáveis por passar a orientação técnica não estão comprometidos o suficiente e o próprio órgão responsável pelo "Desenvolvimento urbano" também está ignorando.
    Meu voto para essa iniciativa. Parabééns pelo post, muito boa exposição da realidade em Campo Grande. Tomara que os responsáveis trabalhem pela mudança imediata dos casos incorretos. Beijos.

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